Matemática

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sábado, 1 de junho de 2013

RECADO DE FANTASMA

RECADO DE FANTASMA

      Tudo começou quando nos mudamos para aquela casa. Era um antigo sobrado, com uma grande varanda envidraçada e um jardim. Eu me sentia tão feliz em morar num lugar espaçoso, como aquele, que nem dei atenção aos comentários dos vizinhos, com quem fui fazendo amizade. Eles diziam que a casa era mal-assombrada. Alguns afirmavam ouvir alguém cantando por lá nas sextas-feiras.
            - Deve ser coisa de fantasma! – falavam.
            Se existe, nunca vi! – E então contava para eles que as casas antigas, como aquela, com revestimentos e assoalho de madeira, estalam por causa das mudanças de temperatura, isso é um fenômeno natural, conforme meu pai havia me explicado. Mas meus amigos não se convenciam facilmente. Apostavam que mais dias menos dias eu levaria o maior susto.
            Certa noite, três anos atrás, aconteceu algo impressionante. Meus pais haviam saído e eu fiquei em casa com minha irmã, Beth. Depois do jantar, fui para o quarto montar um quebra cabeça de 500 peças, desses bem difíceis.
            Faltava quinze para meia noite. Eu andava a procura de uma peça para terminar a metade do cenário quando senti um ar gelado bem perto de mim. As peças espalhadas pelo chão começaram a tremer. Vi, arrepiado, cinco delas flutuarem e depois se encaixarem bem no lugar certo. Fiquei tão assustado que nem consegui me mexer. Só quando tive a impressão de ouvir passos se afastando é que pude gritar e sais correndo escada abaixo. Minha irmã tentou me acalmar, dizendo que tudo não passava de imaginação, mas eu insisti e implorei que ela viesse até meu quarto comigo. Uma segunda surpresa me esperava: o quebra-cabeça estava montado, formando a imagem de uma casa com um lindo jardim bem florido. No entanto, meu jogo formava o cenário de uma guerra espacial, eu tinha certeza!
            No dia seguinte, fui até a biblioteca pesquisar o tema. Eu e Beth encontramos dúzias de livros que tratavam de fatos extraordinários e aparições. E uma das explicações para fatos assim, é que talvez o “fantasma” esteja no dando um recado.
            Hoje minha casa tem o jardim mais florido da rua. Centenas de lindas margaridas brancas florescem a maior parte do ano. O fantasma? Nunca mais vi. Decerto passeia feliz pelo jardim nas noites de lua cheia. 

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